Um pouco antes de começar a fazer Pilates eu estava vivendo mais um início de processo depressivo. Eu tinha acabado de pedir alta pro meu psicólogo depois de quatro anos de terapia e, mais uma vez, tentava lidar com o meu relacionamento conturbado, sempre lutando muito para colocar um fim no que já não dava certo há muito tempo.
Eu me lembro que sempre quis fazer Pilates e nunca era possível, por questão de grana mesmo. Então, quando me vi no meio de mais um buraco, eu peguei minhas forças e dei um jeito de apertar minhas contas pra encaixar o Pilates. Fiz alguns cortes e comecei a dar prioridade pra isso.
O que eu não sabia era que, inicialmente vindo para preencher um vazio e uma tristeza na minha alma, o Pilates passou a transbordar. O Pilates passou a ser a minha cura. Desde o meu primeiro dia o Pilates me curou. E até hoje, quase um ano depois, o Pilates me cura todos os dias.
Não tem um dia em que eu não esteja no buraco e que o Pilates não me faça sorrir ou não me devolva o meu sopro de vida.
Tem dia que o Esquema do Abandono é tão forte que me derruba, vou pro chão de uma vez, e o Pilates faz com que eu me encontre e me coloca novamente de pé.
Quando eu estou lá no estúdio, fazendo os exercícios, alongando, eu me sinto presente. Eu me sinto presença. O Pilates me ensinou aquilo que eu ouvia e lia e não conseguia entender: estar no momento presente.
O Pilates mudou a minha alma antes de mudar o meu corpo. Eu passei a me olhar no espelho de tantos ângulos diferentes que eu nunca pensei que fosse capaz de perceber isso em algum momento da minha vida.
O Pilates me ensinou a ser forte, a não desistir, a ver como o meu corpo é especial, como ele é importante, como eu fico feliz quando ele está saudável, como eu sorrio quando ele tá alegre a cada exercício. Eu sinto o meu coração bater, eu sinto o esforço, eu sinto a superação, eu sinto os meus músculos responderem, eu sinto o meu sangue correr pelas minhas veias em liberdade, eu sinto todos os hormônios da felicidade me abraçando, eu sinto a calma: eu me sinto viva.
Nesses onze meses o Pilates foi fundamental para a cura do abandono de mim mesma. Da percepção de mim. Repito: da percepção da minha presença.
A minha alma nunca vai cansar de agradecer ao Senhor, ao universo, aos Orixás, aos meus anjos e a mim mesma por ter feito uma das melhores escolhas da minha vida. Por todo esse amor que inunda o meu peito quando eu dou conta de fazer algum exercício que antes eu não conseguia. Pela plenitude. Pela força. Pelo vigor. Por fazer com que eu me sinta gigante perto dos meus problemas, das minhas limitações, perto das dores que o Esquema do Abandono gera em mim.

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